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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Algumas ideias (sintéticas) sobre educação...



Sendo frontalmente contra a municipalização das escolas, e da educação, por razões politicas, económicas e sociais, apresento, aqui, algumas ideias, de forma muito sintética, sobre o estado actual da educação.

1.    Desburocratização/simplificação de processos
Atingimos ao zénite no que corresponde à burocratização da educação, dos seus processos e da sua avaliação. Tal situação deve-se, no meu entender, a dois factores de razões:



a)    Desconfiança generalizada das chefias acerca das formas e métodos de trabalho dos docentes e não docentes. Tal desconfiança deve-se a processos avaliativos não formativos mas, normalmente, punitivos e sancionatórios (para todos os patamares do sistema educativo). Desconfiamos uns dos outros e atribuímos responsabilidades pelo insucesso (sempre) “aos outros”, ou seja, o cooperativismo na sua forma mais pura e dura.

Assim, à avaliação de docentes e não docentes passando pela avaliação dos processos educativos e da estruturação do ensino não correspondem medidas concretas de alteração dos mesmos (correcção de processos, etc…) simplesmente, como é norma neste nosso país, há uma constatação que serve para fins políticos, entenda-se a mobilidade, o encerramento de escolas e/ou a não atribuição de mais verbas.
Assim, a pedagógica e avaliativa de processos é vital…

b)    As verbas são suficientes?
A metodologia de se derramar dinheiro sobre os problemas, como se uma dor de cabeça passasse por via económica e /ou financeira, foi um maná que acabou. Penso, sinceramente, que deveria ter havido maior cuidado com o controle de gastos e de atribuição (não politizada) de verbas para a educação.
As direções financeiras deveriam ter sido (ou ser) mais responsabilizadas pelos gastos. Teria sido mais lógico dar autonomia às direcções para organizarem os gastos dos seus agrupamentos, mesmo retirando verbas, em vez de parcelarem e espartilharem as verbas atribuídas. Estou certo que cada direcção seria mais capaz de gerir os seus orçamentos autonomamente e de acordo com os interesses do seu projecto educativo e da região onde se inserem sabendo, atempadamente do “bolo financeiro a gerir”, e tendo essas verbas cativas desde logo. Também, acredito que tendo orçamentos bianuais ou que acompanhassem um ano lectivo (logo não correspondendo ao ano civil) seria facilitador de uma boa gestão.





Assim, a autonomia financeira é vital…
c)Haverá, realmente, projectos educativos significativos?
Pelas ideias já expostas não acredito na retórica de que cada encarregado de educação conseguirá, num futuro dourado e próximo, escolher a escola do seu educando baseando-se no projecto educativo proposto por cada unidade de ensino. Sem autonomia não há a real possibilidade de se construir uma escola diferente das outras. Diferente na sua qualidade e nas suas ofertas de qualidade…há uns laivos de inovação (normalmente importada e/ou copiada de modelos já propostos, muitas ensaiados mas nunca avaliados) que esbarra na conjuntura económica do seu espaço - tempo.

Aqui a municipalização da educação terá um papel extremamente negativo pois perpetuará teorias, concepções educativas baseadas no economicismo do momento. O tal espaço- tempo que Einstein relativizava mas que, nós portugueses, conhecedores das nossas características, sabemos virem a ser reduzidas a interesses politico partidários, pessoais e de lóbis…(entre outros).
Assim, a autonomia é vital…não pode ser realizada na municipalização.

d)Agora, sugestões concretas para duas situações reais/atuais…
Como acredito da politica dos pequenos passos que dão uma caminhada, faço as seguintes sugestões…

- Para uma escola democrática
Revogue-se Decreto-lei n.º 75/2008, de 22 de abril no que concerne há eleição dos órgãos de gestão (artigo 23º). A eleição deverá voltar a ser entregue à comunidade educativa de molde a que a cada elemento dessa comunidade possa votar. Um princípio democrático de uma pessoa um voto é fundamental.

-Antes de enviar um docente para a mobilidade (desemprego a médio prazo)
Há cargos, lugares a preencher, nas escolas ou nas estruturas sociais de uma comunidade (entenda-se unidade autárquica). Esses lugares podem (devem) ser preenchidos por docentes sem turma atribuída devido a redução de alunos ou por outros motivos (saúde, por exemplo). Eis alguns exemplos:
a)    Na escola
- redução de número de alunos por turma, para um número que permita um trabalho de qualidade. Logo haverá mais turmas…;
- atribuição de maior número de co - docência para turmas problemáticas;
- aulas de apoio a alunos com dificuldades de aprendizagem (em grupo pequeno ou individuais);
- trabalho (correto e concreto) de tutorias;
- apoio a alunos com NEE;
- apoio aos professores bibliotecários;
- apoio nos serviços administrativos;
- aulas de substituição;
- assessorias da direcção.



b)    Na comunidade
- trabalho em bibliotecas locais;
- apoio no secretariado da autarquia, na policia local, centros de saúde, hospitais, outros…
E, muito mais…pode cada um pensar e sugerir. Todas as ideias são importantes no aproveitar de experiência cumulada e de saberes que podem ser importantes para a comunidade e que a comunidade (em tempos) ajudou a pagar.
Não devemos desperdiçar…

Rui Manuel Torrado Valente
S. João do Estoril, 4-02-2015


domingo, 1 de fevereiro de 2015

O humor mata ou Je suis Charlie ou…sei lá quem sou…

“…não desenho para aborrecer as pessoas, mas sim para as divertir, para chamar a atenção delas para aquilo que vale a pena e que nem sempre se vê”   Vincent Van Gogh


Quando olho em redor vejo cada vez mais pessoas alheadas, de olhar fixo, esgazeado de mau humor. Ou, pior. Sem humor.
O humor é corrosivo, mata no sentido literal do termo, como vimos recentemente.
O homem aceita os insultos, aceita rebaixar-se em determinadas situações mas quase nunca aceita o ridículo, quase nunca aceita ser posto em causa e rir-se de si mesmo ou de uma situação em que participe.
Rir-se de si próprio, de uma situação que protagonizou, é muito difícil numa sociedade baseada na imagem. A imagem que damos, ou pensamos dar, e a imagem que os outros têm de nós baseia-se nisso mesmo, na filtragem que cada cérebro, cada um de nós, constrói do outro.
Dizemos que “o ridículo mata” mas se lhe juntarmos “o que não mata engorda” ficamos a saber a verdadeira causa da obesidade.
Engordamos o nosso ego com quilos de egoísmo e de hipocrisias que, ridiculamente, são politicamente corretas…como o foi ver países onde não há verdadeira liberdade de expressão serem representados na marcha por essa liberdade numa Paris em pose transcendental.
Isto transcende a minha compreensão…
Brincamos, por vezes, com pessoas sem sentido de humor. Isso, para essas pessoas, é terrível.
É terrível ser-se literal uma vida inteira pois embora seja bom termos princípios e valores, que nos regem e dão sentido à vida, haverá sempre momentos em que é necessário perspectivar as pequenas coisas da nossa pequena e curta vidinha.
Por muito que sejamos gordos, o nosso umbigo não é o centro do mundo, quiçá do universo. Já Galileu o provou…e, de que maneira.
O Humor, só o humor, pode dar sentido às nossas vidas. Assim, dou vivas a todos os que me fazem sorrir…vivam os comediantes, vivam os humoristas!
 Como não podemos matar esse modo de pensar ser e estar, só matando o indivíduo que o alberga, e assim conseguimos atingir o ridículo máximo que é o lado negro do humor (meu caro Darth Vader, onde estás quando és preciso?) --  a falta total de capacidade de sorrir perante uma ideia ou um facto.
Neste caso, de humor negro, o ridículo mata.

Rui Manuel Torrado Valente
S. João do Estoril, Janeiro de 2015


domingo, 14 de setembro de 2014

Já não vale a pena estudar?

Ouço muitas vezes os jovens dizerem que já não vale a pena estudar porque, com a crise, ou acabam no desemprego ou como caixa de supermercado.
Considero esta ideia falsa e perigosíssima, que tem de ser combatida sem tréguas, porque terá consequências dramáticas para a vida dos jovens e do país.


O Padre António Vieira, que nasceu há mais de 400 anos, (1608) dizia que: “A boa educação é moeda de ouro. Tem valor em qualquer lado”.
Esta frase é verdadeira e está cada vez mais atual, num mundo cada vez mais globalizado.
O relatório da OCDE “EDUCATION AT A GLANCE 2013”, publicado esta semana dá-nos alguns dados.


É verdade que o desemprego em Portugal, entre os licenciados, aumentou no período 2008 a 2011 cerca de 2,2% para 8%, bem acima da subida da média da OCDE, que subiu 1,5% para os 4,8%.
Mas o desemprego entre os não licenciados, no mesmo período, subiu mais do dobro, 5,7% atingindo 13,3%, também acima da média da OCDE onde subiu 3,8% para os 12,6%.
Estes dados demonstram que quer em Portugal, quer na OCDE, os licenciados têm sempre mais empregos que os não licenciados.


O mesmo relatório diz-nos que os rendimentos dos licenciados em Portugal baixaram  8% entre 2004 e 2010, mas mesmo assim os rendimentos médios dos licenciados estão 70% (sim, setenta por cento) acima dos rendimentos de quem tem apenas o ensino secundário.
Não tenho dúvidas que nos últimos anos a situação piorou para todos. Mas piorou mais para os não licenciados.

Estudar não só vale a pena, como é cada vez mais decisivo para o futuro dos jovens e do país.

José Batalha

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Em Cascais tudo na mesma

Em Cascais tudo na mesma. Passa o tempo e persistem os mesmos problemas sobretudo para quem habita fora dos principais centros urbanos do concelho, nas largas dezenas de pequenas localidades de Cascais.
Problemas para as pessoas se deslocarem, com o serviço deficiente dos transportes públicos,a falta de articulação de horários entre CP e Scotturb, a ausência de estacionamentos para servir o acesso às estações e aos centros das localidades, a falta de passeios pedonais e a degradação dos existentes, os preços elevados dos transportes públicos rodoviários.
Ai de quem se desloque a pé em localidades como Areia, Birre, Malveira, Trajouce, Murches ou tantas outras do nosso concelho: Terá que caminhar por entre o trânsito, em bermas inclinadas, enlameadas, irregulares e escorregadias onde o peão está constantemente exposto a acidentes devido à ausência de passeios que lhe garantam condições mínimas de segurança.  Num tempo em que as autoridades de saúde promovem os benefícios das caminhadas, torna-se impossível a muitos cidadãos percorrer pelo seu pé os escassos quilómetros que medeiam entre tantas localidades do concelho de Cascais: 
Passeando nas ruas de Alcabideche, este grupo não tem alternativa: Tem que caminhar no asfalto porque não existem passeios.
Faltam os passeios que garantam uma circulação pedonal segura, sendo os peões forçados a um “convívio” demasiado íntimo com veículos que se deslocam a 40, 50 e 60 km/h e que lhes passam frequentemente a centímetros de distância. É assim, por exemplo, na estrada que liga Areia a Birre, Malveira a Janes, Pisão a Alcabideche, sendo assim também na via que a partir desta sede de freguesia faz a ligação com a rotunda condes de Barcelona, no Estoril, para citar apenas alguns exemplos.
No nosso concelho, a atividade comercial continua em declínio, com variadíssimos estabelecimentos a encerrar e uma notória redução do comércio de proximidade. Quem não disponha de veículo próprio para se deslocar a uma grande superfície, está em clara desvantagem: Ou espera longos períodos por transportes públicos caros e irregulares, ou vai a pé tantas vezes por mau caminho, tendo que carregar o peso das compras. É esta a vida de muitos dos residentes aposentados, com magras reformas, enfrentando sérias dificuldades económicas que os impedem de se deslocar de outra forma.
Nos bairros e nas pequenas localidades, rareiam os espaços públicos vocacionados para o encontro entre moradores, para o diálogo e a comunicação, sem os quais fica grandemente dificultada a vivência comunitária, ou o simples encontro e comunicação entre moradores. Uma comunidade para ter vida própria tem que ter espaços próprios onde compareça e se encontre. Espaços com um mínimo de condições: Dotados de mobiliário urbano, de sombra e de abrigo, de fontanários, de árvores e floreiras, de bancos, de placards informativos, de eventos e de proximidade em relação ao comércio local e aos serviços, para que possamos ver praças, largos e jardins públicos povoados de cidadãos, em interação e sã convivência, onde os mais solitários possam encontrar companhia e a troca solidária possa fluir, onde crianças possam dispor de espaço vital, para correr e brincar em segurança e onde a palavra comunidade possa reforçar o seu sentido.
A centenária Murtalense mostra dinamismo e apresenta muita actividade, mas no concelho várias associações e colectividades lutam para sobreviver por falta de apoio ao seu meritório trabalho
As colectividades desenvolvem com dificuldade o seu importante papel de pólos de dinamização cultural, desportiva e recreativa. Muitos dirigentes de colectividades sentem-se desapoiados pela sua autarquia e vêem-se obrigados a reduzir as suas actividades. Ao mesmo tempo, largos sectores da juventude queixam-se de falta de alternativas para a ocupação de tempos de lazer e de espaços de encontro e convívio.
Enquanto entidades colectivas, as comunidades de moradores encontram-se fragilizadas pelo estilo de vida que faz do local de residência apenas dormitório e por uma mentalidade de “cada um por si”, que ignora o “nós” e sobrevaloriza o “eu”.
Na saúde nada se faz a nível local para contrariar a tendência nacional de redução dos serviços assegurados pelo SNS. Milhares de pessoas em Cascais não possuem médico de família atribuído e continuam a esperar largos meses por consultas de diversas especialidades. Qual o papel dos representantes da autarquia que participam na direcção do agrupamento de centros de saúde do concelho de Cascais?
O que se espera da autarquia?

Que governe para as pessoas que aqui vivem, de acordo com os seus interesses, para lhes tornar a vida menos difícil e menos pesada, ou que governe para a satisfação de interesses particulares e de grupo?

Carlos Augusto Silva

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Devo ser burro

Devo ser burro, porque não consigo perceber a diligência e a competência do Banco de Portugal (BP) e do Governo no caso da falência fraudulenta do Grupo Espírito Santo (GES)/Banco Espírito Santo (BES).
Talvez um resumo cronológico dos acontecimentos me ajude a ver a apregoada excelência dos envolvidos.
Ainda o Dr. Vitor Gaspar era ministro das finanças (há bem mais de 1 ano) quando avisou o Dr. Ricardo Espírito Santo Salgado (presidente do BES) para não  falar da dívida pública portuguesa, porque ele também poderia falar da dívida do GES/BES.
Isto demonstra que o governo sabia do enorme endividamento do GES/BES, mas não passou pela cabecinha de quem nos governa (incluindo supervisores, reguladores, auditores e outros doutores) que um grupo económico em graves dificuldades financeiras, mas com o  controlo de um banco, iria ter a tentação de pôr o banco a tapar os buracos do grupo.
Em setembro de 2013, um grande acionista das holdings de topo do GES (Pedro Queirós Pereira) denuncia ao BP, a ocorrência de graves irregularidades e só então acharam que talvez fosse boa ideia olhar para o que passava, mas com calma e discrição, porque banqueiros tão ilustres são boa gente.
Descobriu-se então que o BES vendia aos seus balcões um fundo de investimento, chamado Espírito Santo Liquidez, que tinha aplicado 1,7 mil milhões de euros (a quase totalidade dos seus ativos) na dívida do GES.
Esta gestão era muitíssimo arriscada para os clientes do BES (nunca se colocam os ovos todos no mesmo cesto) e o Dr. Carlos Costa, governador do BP, ordenou que tal situação fosse corrigida, mas não se lembrou de ver como é que o GES iria tapar tão grande buraco.
Soube-se depois que o Dr. Ricardo Espírito Santo Salgado recebia “prendas” de 14 milhões de euros que, através da Akoya, firma especializada em gestão de fortunas (vulgo, branqueamento de capitais e fuga aos impostos), colocava em offshores no estrangeiro e que corrigia a sua declaração de IRS por três vezes, porque se esquecia desses milhões. Mas nada disso foi suficiente para o BP colocar em causa a sua idoneidade para gerir bancos.
Durante o aumento de capital do BES, ocorrido entre maio e junho, descobriu-se que a Espírito Santo International (ESI) falsificava as contas, pelo menos, desde 2008, havendo um buraco de 1,3 mil milhões de euros, que não constavam do balanço.
Mas nem isto foi suficiente para travar esse aumento de capital, que foi um autêntico roubo feito á maioria dos investidores, roubo esse feito com a cumplicidade dos reguladores.
Também não serviu para a distituição imediata da administração do BES, como se impunha a quem falsifica contas.
 Por essa altura, o Governador do BP, a Ministra das Finanças, o Primeiro-ministro, o Presidente da República, todos os analistas económicos e financeiros, não se cansavam de nos dizer que o GES e o BES eram coisas diferentes. Que o GES estava mal, mas que o BES estava bem, que era um banco muito sólido, com rácios de capital muito acima do exigido por lei.
Ainda na sua audição parlamentar em 18 de julho, o governador do BP explicava que o BES estava bem capitalizado, com uma almofada financeira de 2,1 mil milhões de euros, que a exposição ao GES era de 1,2 mil milhões, bem abaixo da almofada existente e que havia privados interessados em investir no BES, pelo que, correndo tudo mal, a solvência do BES estava assegurada.
Nem se lembravam do buraco enorme do BES Angola (BESA) em que cerca de 80% do crédito concedido, era crédito mal parado (metade do qual nem sabiam bem a quem o tinham concedido) e a quem o BES tinha emprestado mais de 3 mil milhões de euros, que não iriam (nem vão) ser pagos.



Quando na noite de 30 de julho, 4ª feira, foram divulgados os resultados do primeiro semestre de 2014, os prejuizos eram de 3.577,3 milhões de euros, a almofada financeira tinha desaparecido, os privados interessados em investir no BES esfumaram-se e o banco estava a caminho da falência.
Na 5ª feira, dia 31 de julho, as ações do BES cairam 40%, na 6ª feira, dia 1 de agosto, voltaram a cair outros 40% e, mais grave, o Banco Central Europeu (BCE) cortou o acesso à liquidez e exigiu a devolução de 10 mil milhões de euros, no prazo de 3 dias, ou seja, até 2ª feira dia 4 de agosto.
Se nada se fizesse, o BES na 2ª feira, dia 4 de agosto, entraria em incumprimento e arrastaria todo o sistema financeiro, como reconheceu o governador do BP na passada 5ª feira, dia 7 de julho, ao dizer que “estávamos em cima do fio da navalha”.
Acossados pelo BCE, o BP e o governo finalmente foram forçados a agir.
Devo ser burro, porque continuo sem perceber como é que deixando chegar a situação ao que chegou, se pode considerar que o BP fez tudo bem.
Acredito que, perante a tragédia anunciada, a solução encontrada (fechar o BES com os seus ativos tóxicos” e criar um novo banco) foi a menos má das soluções possíveis, mas todo o caminho seguido até à sua inevitabilidade, está cheio de negligências, subserviências e incompetências, que nos vão sair muito caras.
Devo ser burro, porque não percebo a perplexidade do Dr. António Pires de Lima, ministro da economia, que diz que o que se passou no BES e na PT  (que meteu no GES 897 milhões de euros, quando já se sabia que iam a caminho da falência) é inexplicável.
É até muito fácil de explicar.
O BES e a PT foram saqueados por quem os estava a administrar, confirmando a velha máxima de que “a melhor maneira de assaltar um banco é administrá-lo”, sem que ninguém na regulação e na supervisão visse.
Devo ser burro, porque não compreendo a desfaçatez da posição do governo, que mente com quantos dentes tem na boca, relativamente aos custos da solução encontrada.
Na 2ª feira, dia 4 de Agosto, a Drª Maria Luís Albuquerque, ministra das finanças, veio à televisão dizer que a solução encontrada é da responsabilidade do BP (como se uma decisão que envolve dinheiros públicos pudesse ser tomada à revelia do governo) e que é a que melhor defende os interesses dos depositantes do BES, dos seus trabalhadores e dos contribuintes.
Acredito que os depositantes estão salvaguardados.
Quanto aos trabalhadores  ver-se-á, mas não é preciso fazer muitas contas para perceber que os despedimentos que ocorrerão a curto e médio prazo no Novo Banco serão da ordem dos milhares, pois  este é significativamente mais pequeno que o BES.


Quanto aos contribuintes é completamente falso o que o governo tem dito, que não há dinheiros públicos envolvidos, não só porque o dinheiro emprestado ao Fundo de Resolução (FR) é dinheiro emprestado pela Troika ao Estado português, que os portugueses terão de pagar, mas também porque o dinheiro do FR é dinheiro público.
O FR está incluído na lista dos organismos da administração pública, as suas receitas são provenientes de impostos sobre o setor bancário e as suas despesas entram nas contas públicas e afetam o défice.
É por isso  que a Ministra das Finanças assumiu que, na eventualidade do Novo Banco não ser vendido até ao fim do corrente ano, isso afetaria o défice previsto para este ano.
Não deixa de ser curioso que a ministra tenha dito que esse agravamento do défice é apenas estatístico, sem consequências na austeridade.
 Parece que o défice só é gravoso quando decorre de despesas com as escolas, os hospitais, os salários e as pensões.
Quando é por causa dos bancos não há problema nenhum com o défice.
O governo tem estado a vender aos portugueses a tese que não há dinheiros públicos envolvidos e que não há risco para os contribuintes, mesmo que o Novo Banco seja vendido por um valor abaixo daquele que agora lá foi metido (que é o que vai acontecer) porque será sempre o FR a pagar.
Devo ser burro, porque não entendo a tese de que os impostos dos portugueses são receita pública, que o Estado gasta como entender, mas que os impostos dos bancos não são receita pública, mas receita cativa de um Fundo que será gasto com os próprios bancos.
Mas ainda que o FR fosse dinheiro dos bancos (que não é) é preciso não esquecer que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) é um banco público com cerca de 25% do sistema financeiro, pelo que será sempre ao património dos portugueses que caberá pagar a conta.
Além de que, se os bancos forem obrigados a contribuir mais para o FR (como vão ser), não deixarão de repercutir esse custo nos seus clientes, aumentando comissões e taxas de juro dos seus financiamentos.
Sejamos claros.
Os crimes cometidos pela administração do GES/BES, com a conivência do BP e do governo vão ser pagos com língua de palmo pelos portugueses.
Vão ser despedidos milhares de trabalhadores, não só nas empresas do GES e do  Novo Banco (ex-BES), mas também  em muitas empresas clientes do BES que foram “persuadidas” (ou mesmo coagidas) a comprarem dívida do GES e que agora perderam todos esses investimentos.
O Novo Banco vai ser vendido à pressa, (na totalidade a um banco estrangeiro, ou às postas a outros bancos já instalados em Portugal) por muito menos do que agora lá foi metido e seremos nós (direta ou indiretamente) a pagar  a diferença.
O crédito á economia será mais escasso e mais caro, dificultando ainda mais a retoma do crescimento do país.
A confiança dos  investidores foi completamente arrasada e quando for necessário mais aumentos de capital nos bancos ( e acreditem, vão ser necessários mais aumentos de capital), só os especuladores, em condições muito gravosas para a nossa economia, aceitarão participar.
O governo e o BP deixaram destruir um grande banco português (com cerca de 20% de quota de mercado) aumentando ainda mais a nossa dependência do mercado financeiro exterior.
Eu não sei se sou burro, mas lá que o governo acha que os portugueses o são, lá isso acha.
Temos de lhe demonstrar que está enganado.
José Batalha

Alcabideche, 10 de agosto de 2014

domingo, 10 de agosto de 2014

Um povo (...)

Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. […]Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter,havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida públicaem pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia,da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime doPaís. […]

Guerra Junqueiro, in Pátria (1896)



Publicação de Arco-Iris

terça-feira, 15 de julho de 2014

Notícias de Aga Khan, o líder dos Ismaelitas


O tal das obras sociais, tão acarinhado em Cascais que o município lhe quer “dar” um dos bonitos e bem localizados terrenos municipais entre a Areia e Birre (perto do Guincho);
Ou talvez (só) usar o seu nome de benemérito social “amigo dos pobres”, para construir um grande empreendimento no local, que o retire do usufruto dos cidadãos e o “facilite” a quem tiver dinheiro para tal.
Este é um dos tipos de “democracia” praticado por vários órgãos de poder autárquico...

Notícia encontrada no El País de 15-07-2014:
“... neste verão há um barco em que todos os olhos se põem, o Alamshar, de propriedade do líder Aga Khan...”
“O navio custou cerca de 150 milhões de euros...”
“O Agha Khan queria ter o barco mais rápido do mundo, mas o seu Alamshar - nome de um dos seus melhores cavalos de corrida –“... parece não ter correspondido ao sonho deste rico “misericordioso”.
“O bilionário não fez segredo de que está muito chateado com o mau resultado.”
Já antes “conseguiu atravessar o Atlântico em tempo recorde de 2 dias e 10 horas” com outro dos seus “barquinhos”, Destriero.

O príncipe ismaelita Karim al-Hussaini Agha Khan tem uma fortuna estimada pela revista Forbes em quase 600 milhões.



El club de los ricos con yate
El agá Jan estrena este año un gran barco tras seis años de construcción


E ainda sobre Aga Khan, pois nada é só “preto-e-branco”, encontrei estas notícias:


Paulina Esteves


domingo, 13 de julho de 2014

Menos Estado, menos Escolas, menos Democracia...

Com o pretexto de optimização dos serviços públicos, a política de “Menos Estado, Melhor Estado” tem levado, gradualmente ao desmantelamento daqueles serviços, abrindo portas à privatização e à perda dos direitos adquiridos pelos cidadãos e consagrados na Constituição da República Portuguesa.


Neste âmbito, a municipalização da Educação é uma das estratégias previstas no guião sobre a reforma do Estado. O processo está já a ser preparado a nível “experimental”, tendo já decorrido reuniões entre o MEC e responsáveis de autarquias. Cascais será uma delas, juntamente com Águeda, Famalicão, Matosinhos, Maia, Óbidos, Oliveira de Azeméis, Águeda, Oliveira do Bairro, Constância e Abrantes.

De acordo com a legislação existente, muitas competências são já da responsabilidade das Câmaras e, aparentemente, a alteração mais notória será a transferência da tutela dos professores para os municípios. Se relacionarmos ainda esta decisão com a intenção anunciada pelo MEC de premiar as câmaras que venham a trabalhar com um número de professores inferior ao considerado necessário, não haverá dúvidas que o objectivo imediato é dispensar mais professores.

Não esqueçamos, porém, que este descomprometimento do Estado tem consequências mais amplas ainda, visando, a curto prazo, alargar-se à área da Saúde.

Nos municípios de Matosinhos, Oliveira de Azeméis e Famalicão têm decorrido reuniões manifestando discordância relativamente a um processo tão duvidoso, que diminuirá forçosamente a qualidade de ensino e interferirá no direito à igualdade de oportunidades que caracteriza um estado democrático.

Uma vez que Cascais será um dos municípios envolvidos, parece-me urgente dinamizarem-se reuniões análogas envolvendo não só responsáveis das autarquias e professores mas também todos os munícipes.


Isabel Guerreiro

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Ainda vamos andando por cá…

Segundo dados do INE, em 2013 saíram do país cento e vinte e oito mil cidadãos. Por diferentes razões, mas saíram…muitos deles seguindo, decerto o bom conselho do governo. O desespero faz milagres.

Tenho amigos com quem gosto de discutir politica, aliás, só discuto politica com os meus amigos pois falamos a mesma linguagem. Não somos unânimes nem da mesma área politica e isso é excelente para uma boa discussão e, uma boa discussão politico – filosófica vale um dia de trabalho.

Uma das últimas discussões (chamaria, antes, debate) foi acerca das nossas atuais condições de vida, ou seja, a resposta à questão “o país está melhor (como o governo clama) ou pior (como reclama a oposição)?

Para os saudosistas relembro os cento e vinte e oito mil cidadãos indicados pelo INE. Ainda, e sempre, seguindo os dados do INE…



a) Temos a taxa de Natalidade sempre a baixar, de 2008 a 2012 passámos de 104594 nascimentos para 89841;

b) O número de nados vivos por cada mil habitantes tem vindo, sempre, a baixar, ou seja, vamos envelhecendo a olhos vistos. Em 2008 a taxa era de 9,5% estando em 2012 em 8,5%...;

c) Os pedidos de auxílio das famílias (ou individuais) estão em crescendo. Em 2010 a Cáritas ajudava 24568 pessoas/famílias e em 2013 ajudava 52967;

d) A taxa de suicídios (por 100 mil habitantes) era em 2008 de 9,8%...foi sempre aumentando…9,6 – 10,4…chegando em 2012 a 10,1%!;

e) O célebre Abono de Família está em queda, não porque não seja necessário mas porque as teorias económicas assim o desejaram.., em 2009 apoiava 1 813 936 crianças e jovens passando, em 2013, a apoiar 1. 294 132…embora existam menos jovens a principal causa é o rastreio ser mais apertado;

f) Com tantos desempregados, embora a taxa de desemprego venha a baixar, também devido a diferenciação de critérios, o subsídio de desemprego era atribuído em 2010 só a 357857 (valor médio de 469,53€), foi baixando, atingiu um pico em 2013 em que apoiou 418256 cidadãos (valor médio de 491,25€) para voltar a baixar em 2014 em que apoia 367012 pessoas (valor médio de 468,93€);

g) A nossa glória, a taxa de Mortalidade Infantil que era das melhores do mundo começou a subir…em 2010 era 2,5%, subiu em 2011 (3,1%) e em 2012 (3,4%)…estando em 2013 em 2,9%;

h) Entretanto as verbas da saúde, em percentagem do PIB, tem vindo a baixar. Em 2010 era 5,6% (8849 M.€)…sempre a descer para 5%...estando em 2014 em 4,8% do PIB (que entretanto contraiu…);



i) Claro que o número de consultas com o médico de família baixou passando de mais de 30 milhões em 2011 para 29 milhões em 2013, uma variação de – 4,8%;

j) O número de urgências atendidas também baixou. Em 2011 eram cerca de seis milhões e meio descendo, em 2013, para cerca de seis milhões. Uma variação de – 5%. Estamos entendidos?;

k) Entretanto o consumo médio de horas de visualização de TV está em contínuo aumento…em 2008 a média era de 4h 21’ e em 2012 chegoui às 4h 40’. E, os programas são educativos…;

l) Na educação, a base de uma nação produtiva e consciente, os números acompanham a negritude geral…em 2011 tínhamos 7317 escolas que passaram, por abate de escolas e de oportunidades no interior, para 7088 em 2012. Este ano o abate continua;

m) O número de alunos também vai baixando…em 2011 eram (ou estavam inscritos) 1 041 384 passando, em 2012, para 1 003 289;

n) O número de professores tem vindo sempre a baixar…é óbvio. Em 2011 eram 156669 e em 2012 baixou para 145 547. Os docentes contratados em 2011 eram 35,9 mil, baixando em 2012 para 24,2 mil. Em 2013 havia 15 200 professores contratados…e vai baixar;

E, poderia continuar nesta senda de números e taxas cedidas, a quem as quiser ler, pelo INE.

Os meus amigos, com quem discuto politica, mesmo de tendência política contrária e/ou diferente, não discutem esta leitura. Não podem…

Agora, que cada um faça a sua leitura com base na sua educação e concepção de cidadania e objectivos de vida. O que é excelente para uns, e alcançável, pode não ser o espirito de vida, de ser e estar, para outros…

Tudo bem.

Mas estamos melhor?



Rui Manuel Torrado Valente
18-06-2014

sábado, 14 de junho de 2014

Sobre Cascais, o pensamento único e o Papa Francisco

A questão que mais me incomoda sobre o actual governo municipal de Cascais é a ausência de um Programa.

Não contesto a liberdade individual, de modo nenhum - aliás sou uma fervorosa adepta do pensamento divergente e da discussão colectiva à procura de convergências pelo bem comum.

Contesto que, em detrimento de um programa ao qual os eleitos se tenham de vincular perante os seus eleitores e demais cidadãos, façam a apologia daquilo que Carreiras anunciou na sua tomada de posse em 2013: "uma Estratégia para Cascais". 

E esse facto dá-lhes uma liberdade total para defender projectos indefensáveis sobre o ponto de vista da maioria dos munícipes ou fregueses. Dá-lhes a capacidade de bradarem a sua prepotência sem que tenham (aparentemente) qualquer obrigação de ouvir ou incorporar outros pontos de vista.
Na verdade não podem ser escrutinados porque não estão a trair nenhum programa! Esta é verdadeiramente a sua estratégia, considerarem-se "livres de interpretar o mandato como melhor lhes aprouver":

Zilda Costa Silva votou a favor do plano de pormenor para Carcavelos-Sul, o que permitiu a sua aprovação. A assembleia de freguesia exige a demissão da autarca”.
"A autarca ... entendeu ser "livre de interpretar o mandato como melhor lhe aprouver", destaco, no artigo publicado em 12/06/2014, LUSA e PÚBLICO



O pensamento único que o Papa Francisco contesta publicamente, está aqui a ser concretizado, no município de Cascais.
Parece um contra-senso? Liberdade individual versus Pensamento único? Curiosamente não é incompatível, como o mostra a realidade deste concelho: cada elemento do PSD / CDS eleito em autarquias é livre de orientar o seu voto, desde que de acordo com o estipulado pela aliança "Viva Cascais". Sem escrutínio popular. Sem terem de prestar contas. São livres de impor o que bem lhes aprouver.

Curiosamente eu, que me conheço agnóstica, reconheço-me próxima de pensamentos do Papa Francisco sobre o mundo e sobre a política, assim como descortino como não cristãos os actos deste executivo municipal e de freguesias, apesar de constantemente os vermos presentes em missas católicas.

Actuam numa linha fariseia, na aplicação de estratégias de “desenvolvimento” de um concelho em prol de “atracção de investimentos” ou de “receitas para a economia local”.

Mas de que “economia local”, nos estarão a falar?

(continua)

Paulina Esteves

terça-feira, 10 de junho de 2014

Eleições já ???



Há dias o prof. Rui Valente defendeu a realização de eleições legislativas já.
Considera que este governo não tem qualquer legitimidade, porque faz exatamente o contrário do que prometeu na campanha eleitoral, pelo que se baseia numa fraude eleitoral.

Até aqui concordo inteiramente.

Todos nos lembramos do Passos Coelho a dizer a um jovem que cortar o subsídio de Natal era um disparate, e todos sabemos o que ele fez imediatamente após tomar posse.



Ainda há pouco mais de um mês ele dizia que não ia aumentar mais impostos ou cortar rendimentos e uma semana depois já dizia que ia haver um “ajustamento” (em alta, claro) do IVA e da TSU.

É para mim claro, que este governo é incompetente, mentiroso e o mais à direita que já tivemos desde o 25 de Abril de 1974.

E é exatamente por isso que eu não quero eleições já.

Eleições já, ainda por cima com o maior partido da oposição no estado em que está, é garantir ao Passos Coelho mais 4 anos de governo, agora com uma nova legitimidade que neste momento não tem.

O Passos Coelho já fez a este país mal que chegue.


José Batalha

quarta-feira, 28 de maio de 2014

O desemprego caiu... E o emprego também

O Instituto Nacional de Estatística publicou os dados do desemprego, referentes ao
1º trimestre de 2014, revelando que a taxa de desemprego caiu de 15,3% no último trimestre de 2013 para 15,1% no fim de março.
Os desempregados passaram de 808.000 para 788.100.
São menos 19.900 pessoas no desemprego.
Parecem boas notícias.
Acontece que o emprego também desceu.
O número de pessoas com emprego diminuiu 42.000. Eram 4.468.900 e são agora 4.426.900.
Mas  se  o  número  de  pessoas  a  trabalhar  diminuiu,  como  é  que  há  menos desempregados ?
É simples.
Uma parte, os mais jovens e bem preparados, emigrou.
Outra  parte,  os  mais  idosos  e  com  baixas  qualificações,  desiludidos,  deixaram  de procurar trabalho. Continuam sem emprego. Continuam a querer trabalhar. Mas não são desempregados. São inactivos.
Pobre país em que até as boas notícias, afinal são más.

José Batalha



A Paz

O homem nunca está em paz, não considera a paz como um valor fundamental de qualquer cultura e/ou religião. Evoluímos entre convulsões e guerras e a nossa história foi sendo reescrita pelos vencedores.
Depois de 1945 vivemos cinquenta anos sem dar um tiro na Europa…eu cresci a ouvir falar das guerras nas áfricas (para mim 1974 chegou a tempo de não conhecer a guerra nesse continente) ou nas ásias e, na Europa, nunca me passou pela cabeça que os Balcãs (nos idos de 90) , agora a Ucrânia pudessem trazer à tona de água, e da memória, as mais tristes lembranças acerca de nós europeus…


A Europa formou-se, e sempre se afirmou, com guerras sangrentas entre povos, países religiões e conceitos de vida. Guerras que duraram longos anos e que para além de marcarem fronteiras deixaram profundas feridas entre os povos. A guerra fez o homem moderno, tornou-se uma forma de estar, uma profissão.
Incrível.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Pensamentos sobre o fascínio do Poder governativo - autárquico e outros

O Povo costuma dizer: “Quando vão para o poder são todos iguais”.
E assim tem parecido, ao longo dos tempos, numa grande maioria de casos.
Mas porquê?
Será que o acesso privilegiado a informações confidenciais muda o sentido de justiça de cada um?
Será, como dizem outros, que quando se passa a ter uma visão global sobre o território e as suas componentes, sobre a totalidade dos agentes económicos, sobre a globalidade das perspectivas, necessariamente isso implica uma mudança de agulheta, desde uma anterior defesa da natureza, dos trabalhadores, das pessoas, para a defesa dos interesses dos grandes financeiros, da especulação imobiliária, de investidores sem escrúpulos?


Será que a ida para um poder local ou nacional provoca uma epifânia em cada membro: “ah, como eu estava enganado, afinal os investidores especuladores é que tinham razão”?
E será que tantos serão facilmente permeáveis à ideia de que, como me disseram uma vez assim que fui indigitada para coordenar uma equipa de trabalho numa grande empresa: “Olha que agora já não é um índio, é chefe dos índios, tem de manter a distância e mandar!” ?

terça-feira, 6 de maio de 2014

Abstenção: E como é em Cascais …?

É mais ou menos consensual a ideia de que as pessoas estão fartas dos políticos e dos partidos. “ São todos iguais, quando são eleitos fazem o contrário do que dizem durante as campanhas eleitorais “, quem nunca ouviu ainda algo deste género?
É assim no País e foi assim também nas últimas eleições autárquicas em Cascais.
Prova disto são os resultados das últimas eleições autárquicas de 29 de Setembro de 2013 em que votaram apenas no País 47,4 % dos cidadãos inscritos, em Cascais não votaram 62 %.



quinta-feira, 1 de maio de 2014

Acordai

Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Abril

Havia a guerra, que se tinha tornado insustentável. Havia os militares, dispostos a tudo para pôr fim à sangria que há anos se fazia na África colonial portuguesa. Havia um povo descrente de si próprio e proibido de se expressar, de se realizar, de ser ele próprio.
Muitos fugiram à guerra, outros à penúria. Os insubmissos e os corajosos, resistiram na crítica e na acção clandestina, pagando o preço mais caro, com torturas, prisões, desterros e mortes.
Assim se passaram vidas.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

A mãe natureza alimenta-nos…

Foi um passeio/descoberta com sentidos alerta aquele que fizemos no sábado pelos campos entre Birre e Areia, com a botânica Fernanda Botelho e organizado por Maria Morais.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Políticos e políticas… (seremos todos chineses)

                       15-12-2012
Chegámos ao século XXI e descobrimos que o comunismo, o marxismo e outros ismos extremistas estavam em desuso. Estarão?

Sobrou o capitalismo mais ou menos encapotado de democrático mas que na realidade corresponde, atualmente, a um sistema cujo único valor subjacente é que não existem valores para além do arrivismo económico-financeiro.